Esporte é superação. Superar obstáculos, superar distâncias, superar o tempo, superar marcas. Superar a si próprio. Ser uma pessoa com deficiência também é superação. Superar o preconceito, o paternalismo, o desânimo. E também, superar a si próprio.
Quando unimos a pessoa com deficiência e esporte, estamos dando um passo valioso rumo à cidadania dessas pessoas. A atividade desportiva mostra para toda a sociedade o potencial que foi ocultado por trás de uma deficiência física, mental e sensorial.
Sabemos que a constância da prática desportiva atua sensivelmente como reabilitadora das condições físicas, sociais e de auto-estima de todos os atletas e para os atletas com deficiência não poderia ser diferente.
Sair da clausura doméstica, a que estão relegados a maioria das pessoas com deficiência e ganhar a amplitude social de uma quadra, de uma piscina, de uma pista de atletismo ou de um ginásio, já é por si só uma superação. Já é princípio básico para a cidadania plena.
O esporte surge então como um recurso fundamental para que essas pessoas conquistem seu lugar no contexto social. Trata-se de uma das melhores maneiras para mostrar a sociedade e a própria pessoa com deficiência que está mais do que na hora de vencermos a barreira do preconceito e da discriminação.
Entretanto, olhar além das diferenças do outro e encontrar a maneira de trilhar juntos o caminho, ainda é um desafio para os organizadores dos jogos Olímpicos e Panamericamos. Olimpíada e Paraolimpíada, Pan e Parapan são eventos segregativos: testemunho da exclusão! É na verdade, igualdade em paralelos! Visto por um público restrito, poucos jornalistas e a compra pelos direitos de transmissão é ínfima. É visto com pouco apreço.
Belo seria todos juntos num único espaço – vila olímpica – e num mesmo tempo, o que representa dizer, por exemplo, que a final feminina de basquete entre Brasil x USA poderia ter acontecido antes ou depois da mesma final de basquete de cadeira de rodas, o que, certamente, garantiria um único público, um mesmo olhar e assim estabeleceria a corrente de uma sociedade inclusiva para todos.
O início do “Parapan” acontecera uma semana depois - (12/08) - quando todos se foram e somente os atletas com deficiência se confraternizam. Carminha Soares