Jul 13

As críticas que fazemos ao conceito de INCLUSÃO alusivo aos jogos paraolímpicos, por sua qualidade excludente, é o que chamamos de artimanhas de uma falsa inclusão. Equilíbrio, comunhão e união são cernes do ideário Olímpico em todo seu processo histórico, desde sua origem na antiguidade grega até a versão “moderna” dos jogos na atualidade. Ao invés de, realmente, visar à eliminação das desigualdades, busca aprimorá-las. Revelam erro, imprecisão e contradição de sentidos que contribuem para o processo de exclusão social.

Quem são os excluídos, disfarçados em incluídos? Somos todos nós!

Quando não podemos optar pelo que queremos ver, estamos excluídos literalmente. Inclusive, o fato de não poder assistir a uma final de basquete jogado em cadeira de rodas, de natação, atletismo, por exemplo, em tempo real.

E é nesse contexto de celebração entre os povos que a globalização apropria-se do conceito comunicacional para mascarar e transmitir significados culturais e econômicos, que contribuem cada vez mais para a exclusão social. Diante desse quadro, as relações de influência que a mídia exerce na sociedade, no tocante à inclusão das pessoas com deficiência, deveriam fundamentar sua missão de colaborar de modo a gerar uma mudança no pensamento das pessoas e das instituições que atuam na área. 

Entretanto, ao terminar a cobertura dos Jogos Olímpicos em Pequim, a Tv Globo colocou sua seta indicando o próximo caminho: “África 2010”, e a ESPN colocou sua bandeira em “Londres 2012”. Ali acabava sua cobertura! E as Paraolimpíadas? Nenhuma palavra! Sinceramente não sabemos o que lhe foi reservado de visibilidade midiática. Alguns flashes?, algumas informações curtas?, alguns momentos de consagração de  atletas como  o mérito de Daniel Dias medalha de ouro na natação no cubo de Pequim? Paradoxal! A consagração é real, mas o tempo midiático não é instantâneo, não é real.

Ora, em pleno momento de explosão das novas tecnologias e de uma efetiva globalização, como aceitar que aos atletas paraolímpicos sejam negadas as possibilidades de se mostrarem ao mundo em tempo real? Afinal, da globalização em curso esses atores não devem ser excluídos.

Como romper com esse paradigma? Paulo Freire, ao proferir palestra em Natal, promovida pelo jornal Diário de Natal, em 1992, deixou-nos uma frase célebre “Só aprende quem tem coragem de abandonar o velho e mergulhar no novo, mesmo com toda a vertigem que o salto provoca”, que reforça a necessidade de mudança pessoal e social. O autor se concentra na coragem de mudar, mesmo que essa mudança implique lutar contra valores arraigados na sociedade, levando-nos a perceber que a natureza dos homens é a mesma; independentemente de serem pessoas sem deficiência ou com deficiência, são seus hábitos, seus preconceitos e estereótipos que os mantêm separados.

É preciso estimular uma cultura de solidariedade, entre os homens, que favoreça mudanças de atitudes, onde o desenvolvimento humano possa ser baseado na justiça, na solidariedade e na ética. Na verdade, as ações voltadas para as práticas da inclusão social repousam, ainda, em princípios relativamente desconhecidos, como a aceitação das diferenças individuais, a valorização de cada pessoa e a convivência dentro da diversidade humana.

Vale a pena refletir o papel da mídia. É o mínimo que nós, telespectadores dos canais abertos e assinantes dos canais fechados, esperamos de uma mídia democrática e cidadã.  Não temos o direito de estigmatizar, de atribuir uma marca que virá sempre à frente da pessoa. Não podemos classificá-la pelo seu aspecto de apresentação, é preciso conhecê-la mais de perto, ver suas dificuldades e potencialidades. E, para isso, é preciso vê-la. 

Afinal, belo seria estarmos juntos num único evento com um único olhar!          

Jul 13

O curso de Jornalismo Científico promovido pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte – FAPERN trouxe para as discussões jornalísticas nomes merecedores do respeito dos que atuam na área, com abordagens pertinentes e reflexivas ao contexto midiático nos seus amplos aspectos.

Um dos temas abordados durante o curso e que focou a importância política e social do conhecimento científico, deixou claro que quem detém o poder é quem tem o conhecimento. É impossível para alguém falar sobre algo para o que não se preparou, não teve nem mesmo o cuidado preliminar de conhecer a questão: cai de pára-quedas e impacta.

No aspecto desportivo, no entanto, foi de consenso ao longo do curso a constatação de que o jornalismo que se volta para o esporte é um jornalismo que conhece bem aquilo que é transmitido, veiculado, exercendo o seu papel, fazendo o seu leitor, ouvinte ou telespectador, pensar, maravilhar, divertir, revelar, levando a informação em detalhes.

Falta-lhes, porém, na minha particular concepção, o interesse pelo esporte paraolímpico. Na qualidade de pesquisadora da área jornalística desenvolvendo trabalho voltado para inclusão social, com o tema: Olimpíadas e Paraolimpíadas como Evento Desportivo Único, chamou-me, sobremodo, a atenção quando, da abertura das Olimpíadas de Pequim, na China, dia 8 de agosto de 2008 às 8 horas, elaborada na mais absoluta superioridade tecnológica, o trecho da canção executada pela cantora inglesa: “…eu e você num mesmo mundo, numa só família…” traduzia o sentimento, o espírito olímpico. Mas, por que separar as olimpíadas das paraolimpíadas? Não trazer esse sentimento, esse congraçamento entre todos os povos numa verdadeira celebração mundial desportiva, sem segregação, sem discriminação, fazendo valer o que está assegurado na Declaração Universal dos Direitos Humanos no ano que completa 60 anos e que prega a liberdade de expressão, de pensamento, a luta pela igualdade e o respeito a todos. Assim, o desporto competitivo não é só uma prerrogativa de pessoas consideradas sem deficiência, mas também para as pessoas com deficiência.

A ciência nos tem mostrado que o comportamento humano é inteiramente evolutivo, portanto, movente. Acredito como pessoa, como pesquisadora que a inclusão social seja o maior projeto da humanidade.

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